domingo, 25 de janeiro de 2009
Um presente para Sampa
25 de janeiro de 2009. Sampa City completando 455 anos.
E tem jeito mais festivo de celebrar do que numa manhã de Pacaembu, com 35 mil fiéis, Final da Copinha e CORINTHIANS fazendo festa?
Timãozinho 2x1 Atlético-PR
Com direito a um camisa 7 chamado Marcelinho e patrocínio da Suvinil na camisa, o Timãozinho disputa sua 14a Final* e ergue sua 7a taça na História do torneio.
* Quem sabe o que é uma Final de torneio, sabe. Quem não sabe, não é corinthiano.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Meu fliperama preferido
Era 20 de janeiro de 1995, o dia mais transformador da minha vida (até ali, pelo menos). Era então um filho único, com 16 anos de idade, crescido em meio a uma cultura provinciana. E estava sozinho embarcando em um avião rumo a uma cidade desconhecida, sobre a qual o pocuo que sabia era ser ela uma megalópole fomentadora de sonhos e devoradora de almas. Rumava para Sampa City, a estudos - na verdade, voava pra lá para, na manhã seguinte, seguir para São José dos Campos, 90km para o interior do Estado.
Um primo médico e sua noiva, recém-graduados, viviam lá fazia 1 ano, na árdua vida de residentes. Ficaram de me buscar no aeroporto e me dar abrigo na primeira noite. E assim fizeram...
Enquanto me conduzia do aeroporto de Guarulhos até o pequeno apartamento em Moema, pela Avenida 23 de Maio, meu primo perguntou:
- Então? Qual a primeira impressão?
- Parece um fliperama!
Ele riu e completou:
- É! E tu estás dentro do fliperama!
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Alguma coisa acontece no meu coração
Sampa
por Caetano Veloso
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa
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Pelas Letras,
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Pelos Sons
Bush Bye Bye Party
Evento mundial: festa de despedida organizada simultaneamente em várias cidades do mundo (até agora, 818). Informações? Clique aqui. Obs.: Só é permitida a entrada com sapatos!
Ronaldo quase em forma
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
A atual crise econômica e seus caminhos
Em meio à montanha de coisas que têm sido escritas recentemente sobre a atual crise econômica, a análise de que mais gostei foi de Jeffry Frieden (graduação e PhD em economia em Columbia, ex-professor na UCLA e atual professor em Harvard). Ele usa um interessante paralelo com crises vistas anteriormente na América Latrina para segmentar o enfrentamento da crise em três etapas: estabilização (expansão fiscal e monetária para conter a espiral recessiva), ajuste (retração fiscal e monetária num segundo momento, para re-equilibrar as contas) e reforma (regulamentação do sistema financeiro com objetivo de evitar repetição do problema no futuro).
Os Estados Unidos em seus dias de América Latina
por Jeffry Frieden
A crise financeira americana de 2008 deve parecer familiar aos latino-americanos, uma vez que é muito similar àquelas causadas por dívidas que há anos flagelam os países da América Latina. Desde 2000, os Estados Unidos tomaram emprestados de outras nações 5 trilhões de dólares. A dívida externa financiou uma grande expansão econômica, e então um boom, e então uma bolha, em particular nos setores financeiro e imobiliário. A bolha agora estourou e a economia se encontra em uma espiral descendente.
Embora haja diferenças entre as crises de dívida americana e latino-americana, as semelhanças são esmagadoras. Para começar, a iniciativa partiu do governo, que contraiu empréstimos internacionais pesados para financiar grandes déficits. O setor privado seguiu o exemplo, usando fundos estrangeiros para expandir o consumo, especialmente no mercado imobiliário. Operações financeiras especulativas alimentaram e ampliaram o impacto dos empréstimos estrangeiros. Por quase uma década, o país viveu além de seus meios: consumiu mais do que produziu, investiu mais do que poupou, e o governo gastou mais do que arrecadou.
O rescaldo inevitável de uma crise financeira também é bem conhecido dos latino-americanos: estabilização, ajuste e reforma. Estamos agora na fase de estabilização, em que a principal tarefa é limitar os danos imediatos e impedir um colapso econômico mais extenso. Esta fase salienta uma grande diferença entre a atual crise americana e as crises latino-americanas anteriores: a americana não levou a um cessamento súbito da disposição estrangeira em emprestar ao governo americano. Isso significa que o governo pode se valer do gasto agressivo, mesmo em situação de déficit, para tentar estimular a economia e tornar o golpe menos doloroso. Isso é uma ótima notícia, tanto para os americanos como para o mundo. Se o governo dos Estados Unidos se visse impedido de contrair empréstimos, a recessão sem dúvida seria muito mais profunda, e seu impacto sobre o restante do mundo, sem dúvida, muito mais sério. Entretanto, é quase certo que haverá uma recessão grave nos Estados Unidos, e que levará pelo menos dois anos até que a economia americana volte a crescer.
Mesmo depois de restaurado o crescimento econômico, porém, os Estados Unidos terão de enfrentar os desafios do ajuste de médio prazo: havia anos a situação econômica do país já era insustentável. Todos os anos, desde 2001, os Estados Unidos tomam emprestado entre meio trilhão e 1 trilhão de dólares. Esse dinheiro é dirigido ao financiamento dos déficits maciços do governo, assim como dos imensos déficits da balança comercial e financeira do país para com o restante do mundo. Isso não pode perdurar. Assim que a crise mais imediata esteja contida, o governo terá de reduzir seu déficit orçamentário, e o país terá de passar a consumir menos e poupar mais, importando menos e exportando mais. Novamente, isso deve soar familiar aos latino-americanos, que já atravessaram essas experiências. Elas nunca são agradáveis. Nos Estados Unidos, o processo exigirá que se aumentem os impostos e se reduza o gasto do governo, forçando uma redução dos salários para aumentar as exportações, e elevando as taxas de juros para estimular a poupança. No geral, o resultado será uma redução dramática no padrão de vida de muitos americanos. Mas o ajuste é necessário para que se restaure o equilíbrio macroeconômico.
O ajuste macroeconômico não constituirá a etapa final do rescaldo desta crise, pois as instituições econômicas do país necessitam de reformas mais fundamentais. Em primeiro lugar está a demanda por uma regulação mais abrangente e eficaz dos mercados financeiros. Até que esta crise termine de fato, os contribuintes americanos podem ter de despender algo como 2 ou 3 trilhões de dólares para socorrer o sistema financeiro do país. Os americanos estão inflexíveis na convicção de que essa experiência não pode vir a se repetir, e de que a ausência de uma supervisão regulatória foi em grande parte responsável pelo desastre. Então o Congresso, o presidente e os reguladores terão de elaborar uma nova estrutura regulatória – provavelmente em conjunto com os governos de outras nações – para enfrentar as novas realidades financeiras.
Nenhum desses estágios será fácil. Somados, eles implicam uma guinada dramática em relação às políticas dos anos Bush. Haverá mais envolvimento do governo na economia, e mais supervisão pública dos mercados financeiros. Haverá também impostos mais altos e consumo reduzido, enquanto o pesadelo fiscal dos últimos oito anos for gradualmente desfeito.
Embora os desafios econômicos no caminho dos Estados Unidos sejam sérios, os desafios políticos talvez sejam ainda mais temerários. A crise certamente inflamará paixões políticas poderosas. Mesmo antes dela, havia um grande ressentimento em torno do abismo crescente entre ricos e pobres nos Estados Unidos; a maior parte das benesses da expansão econômica dos últimos dez anos foi colhida pelos 10% mais ricos da população, ao passo que os americanos médios não experimentaram grandes melhoras em suas condições.
Agora se pede aos americanos que se sacrifiquem para remediar os excessos de seu sistema financeiro. Os americanos ricos foram os principais beneficiários das políticas econômicas recentes. Quando essas políticas falharam, foi aos americanos pobres e de classe média que se pediu que socorressem a economia e amparassem aqueles que conduziram o país à sua presente crise.
Seja esse ponto de vista totalmente justificado ou não, o fato é que muitos americanos compartilham dele. Os americanos estão indignados, e o novo governo terá de dar respostas a essa indignação ao mesmo tempo em que trabalha para recuperar a confiança dos investidores domésticos e estrangeiros nos Estados Unidos. Essa será uma missão extraordinariamente difícil. O novo governo enfrenta a tarefa de pôr a economia americana, assim como o sistema político americano, no caminho de uma recuperação saudável. O presidente eleito, Obama, conta com uma grande reserva de boa vontade, em casa e fora dela, à qual recorrer; e precisará dela toda para que ele e seu governo possam renovar a política econômica americana.
O texto foi publicado na edição de 31 de dezembro de 2008 da revista Veja, em meio a outras análises bem mais simplórias e repetitivas sobre a crise.
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