Mostrando postagens com marcador Pelo Mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pelo Mundo. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de agosto de 2009

Deu no New York Times... (1)

http://viagem.uol.com.br/ultnot/2009/07/31/ult4466u649.jhtm

Mergulhe nas loucas noites de São Paulo
SETH KUGEL
New York Times Syndicate

As áreas de vida noturna padrão na zona sudoeste de São Paulo - o Itaim Bibi, para o público endinheirado, e a Vila Madalena, onde um público (ligeiramente) mais boêmio lota os bares com mesas ao ar livre - ainda mantêm sua força. Mas um renascimento está em andamento mais próximo do centro da cidade, mais especificamente no lado "ruim" da Avenida Paulista, a importante artéria que separa o centro dos bairros de classe mais alta da zona sudoeste da cidade.

Isto é especialmente verdadeiro ao longo da Rua Augusta e das duas vias paralelas que a flanqueiam, a Rua Bela Cintra e a Rua Frei Caneca - uma área cada vez mais tratada como Baixo Augusta. Até grande parte desta década, ali era uma região de luz vermelha, cheia de prostitutas de rua e clubes de sexo. Mas nos últimos anos, ela também se tornou uma região de clubes gays, uma região de lounges, de pontos de encontro de adolescentes, até mesmo uma região de velhinhas levando seus cachorros para passear. É um local bastante interessante no qual passar um começo de noite: um manicômio onde vale tudo.

Há lugares elegantes como o Mestiço (Rua Fernando de Albuquerque, 277; 11-3256-3165;
http://www.mestico.com.br/), um restaurante tailandês com combinação colorida de pratos do Brasil e da Índia. Ou experimente o Exquisito (Rua Bela Cintra, 532; 11-3151-4530; http://www.exquisito.com.br/), um dos poucos lugares na cidade que servem o que os americanos chamam de cozinha pan-latina.

Do outro lado da rua fica o Geni (Rua Bela Cintra, 539; 11-3129-9952;
http://www.geniclub.com.br/), um clube com vários andares em um velho casarão que já abrigou de tudo, de clínica de saúde a bordel (ou pelo menos é o que dizem os garçons; é no mínimo um bom marketing), e agora conta com pista de dança e minilounges temáticos.

Mas dois clubes gays - ou mais precisamente clubes GLS (a sigla brasileira para gays, lésbicas e simpatizantes) - estão no coração da vida noturna local. Um é o Vegas (Rua Augusta, 765; 11-3231-3705;
http://www.vegasclub.com.br/), uma discoteca com uma festa after-hours que prossegue até depois do amanhecer. Fecundo Guerra, o proprietário, abriu dois novos bares em março: o Volt (Rua Haddock Lobo, 40; 11-2936-4041; http://www.barvolt.com.br/), com letreiro de néon remetendo aos velhos tempos ruins da Augusta, e o Z Carniceria (Rua Augusta, 934; 55-11-2936-0934; http://www.zcarniceria.com.br/), situado em um antigo açougue/matadouro com ganchos de carne e arte com tema de carne, mas oferecendo muitas opções vegetarianas no cardápio.

Outro clube GLS é o A Loca (Rua Frei Caneca, 916; 11-3159-8889;
http://www.aloca.com.br/), uma boate labiríntica, semelhante a uma caverna, com pista agitada, dominada por homens. Se "homens" ou "dança" não é o seu lance, há muitos outros espaços disponíveis. Ela é tamanha referência que o bar sem letreiro descendo a quadra simplesmente se chama bar da Loca - ninguém parece saber seu verdadeiro nome.

Também há um quê de Nova York no ar, com uma muito rara (no Brasil) pizarria por fatia, parte de uma pequena rede chamada O Pedaço de Pizza (Rua Augusta, 1463; 11-3285-2117;
http://www.opedacodepizza.com.br/), e o Astronete (Rua Matias Aires, 183-B; 11-3151-4568; http://www.astronete.com.br/), um bar que parece saído de Williamsburg e dirigido por um casal brasileiro que já morou no Brooklyn. Um novo lounge, o Sonique (Rua Bela Cintra, 461; 11-2628-8707; http://www.soniquebar.com.br/), parece um ponto descolado saído diretamente do distrito de processamento de carne de Manhattan - até você perceber as diferenças sutis (a paixão por suco de fruta nas margaritas) e as óbvias (o casal de lésbicas se beijando ao lado do casal de gays, que se beijavam ao lado do casal hétero).

Mas o que você mais encontrará, especialmente nas noites de fim de semana, é confusão. Da boa, do tipo de São Paulo.

Tradução: George El Khouri Andolfato

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O mochileiro das galáxias e a história americana: Philadelphia e Washington, DC


Novembro de 2006. Segunda-feira foi acordar bem cedo em Boston e rumar para a South Station, para pegar o trem para a Philadelphia. Mais uma ótima viagem pela Amtrak.

A Philadelphia me pareceu um lugar estranho. Mesmo estando a menos de duas horas de NYC (de trem) e sendo também uma referência acadêmica e histórica, a cidade parece muuuuuuuuuuuuito provinciana. Lembrei-me de um texto teatral do David Ives sobre uma cidade em que as pessoas sao letárgicas e tudo dá errado. No Brasil, esse texto foi traduzido como Brasília (que eu achei uma tradução perfeita), mas o original chama-se exatamente “The Philadelphia” (com o artigo mesmo, coisas do teatro do absurdo). O metrô cruza a cidade de uma ponta a outra em menos de meia hora e – o mais inacreditável – as estações são a cada 2 ou 3 quarteirões!!! Eu cronometrei 20 segundos entre cada parada do metrô. É o tempo que se leva entre os avisos sonoros no trem: “Doors are closing” e “Doors are opening”.

Tal como em NYC (e em Washington, DC), existem grandes avenidas longitudinais, que recebem nomes, e ruas transversais numeradas. A principal longitudinal eh a Market St, que corta a cidade de leste a oeste, sentido em que as ruas sao numeradas, e divide-a em norte e sul. Na extremidade leste, fica a parte de turismo histórico. Na oeste, a Univesity of Pennsylvania (UPenn), onde fica a Wharton Business School. No centro, a Rittenhouse Square, região onde morava nosso dileto Mellllton (o terror das japa girls da Pennsylvania), que gentilmente me hospedou.

Como se poderia esperar, na Philadelphia (estado da Pennsylvania), tudo recebe o apelido de Philly’s (ou Phillies’) ou Penn’s.

Historicamente, a cidade é conhecida como a antiga capital federal (anterior aa construção de Washington, DC) e o lugar onde foi assinada a Independência, em 1776 (daí o time de basquete chamar-se Philadelphia 76ers). Seus cidadãos ilustres são Benjamin Franklin e Thomas Jefferson e, no lado leste da cidade, fica o Independence National Historical Park. Nesse parque, estão o Liberty Bell Center e o Independence Hall.

O primeiro é um sino tomado como símbolo do acordo de independência. O sinal evidente desse sino é uma espessa rachadura vertical nele. A história que se conta é que originalmente havia uma rachadura “da espessura de um fio de cabelo”, razão pela qual se mandou consertar o sino. Após o conserto, quando ele foi colocado para soar pela efeméride do aniversário de George Washington, a rachadura original agravou-se e o sino silenciou definitivamente.


Como anti-estadista que sou, achei muito simbólica essa história. Enquanto o marco era a conquista da independência a partir de um luta social, o sino soou vigorosamente. A partir do momento em que o processo fluiu para uma personificação do poder (o puxa-saquismo com George Washington), a liberdade calou-se pra sempre. Interessante! Quase filosófico!

Já o Independence Hall mostra o lugar onde foi assinada a Independência e onde funcionava o Parlamento anteriormente a Washington, DC.

Outra curiosidade sobre a Philadelphia é o Art Museum, que tem na entrada as escadarias onde foram filmadas as cenas do filme Rocky em que ele está treinando para a luta final. É comum nas lojinhas de souvenirs encontrar artigos com Rocky Balboa estampado.

Após conhecer o lado histórico, fui conhecer a UPenn e de lá segui para o centro. Como era segunda-feira (e a galera de Wharton que encontrei por lá estava atolada de trabalhos e provas), a night restringiu-se a um restaurante fantástico chamado La Viola.

Da Philapdelphia que não está nos guias de viagens, posso contar sobre a superstição que eles têm com o número 13 - os prédios não têm 13o andar - e recomendar belíssimas esculturas na estação de trem.






















Foi isso... manhã seguinte, trem para Washington, DC.

***

Cheguei a Washington, DC (District of Columbia, para diferenciar do Estado de Washington, que fica na costa oposta do país), no dia das eleições para o Senado. Passei um único dia na cidade, e limitei-me a fazer um turismo feijão-com-arroz. Não conversei com nenhum nativo. Fui apenas visitar os pontos turísticos.

Chegando à cidade de trem, na Union Station, que fica de frente para o Columbus Circle, uma caminhada de 10 minutos leva ao National Hall, um longo (estimo que uns 5 km) e largo (estimo que 1,5 km) corredor que liga o Capitolio (prédio do parlamento) ao Lincoln Memorial, passando por um obelisco chamado National Monument e pelo memorial à Segunda Guerra, que eu achei o mais bonito de todos. Pra quem vai no sentido do Capitólio para o Memorial, o corredor é delimitado à direita pela Constitution Avenue e à esquerda pela Independence Avenue, e ao longo das laterais do corredor há uma série de museus, dentre os quais o Museu da Aviação e do Espaço.

Na altura do obelisco, tomando-se o caminho transversal à direita chega-se à Casa Branca, que é contornada por uma cerca a uma distância de quase 1 km, ponto mais próximo a que se pode chegar (sem ser convidado).

Outros prédios interessantes que se podem conhecer ficam por trás do Capitólio... a Suprema Corte e a Biblioteca do Congresso, com o maior acervo bibliotecário do mundo.

Nas fotos abaixo, respectivamente, o Capitólio, o obelisco do Natinoal Hall, o Memorial de Lincoln e a Casa Branca.



Imagens (parte 2)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Meu fliperama preferido


Era 20 de janeiro de 1995, o dia mais transformador da minha vida (até ali, pelo menos). Era então um filho único, com 16 anos de idade, crescido em meio a uma cultura provinciana. E estava sozinho embarcando em um avião rumo a uma cidade desconhecida, sobre a qual o pocuo que sabia era ser ela uma megalópole fomentadora de sonhos e devoradora de almas. Rumava para Sampa City, a estudos - na verdade, voava pra lá para, na manhã seguinte, seguir para São José dos Campos, 90km para o interior do Estado.

Um primo médico e sua noiva, recém-graduados, viviam lá fazia 1 ano, na árdua vida de residentes. Ficaram de me buscar no aeroporto e me dar abrigo na primeira noite. E assim fizeram...

Enquanto me conduzia do aeroporto de Guarulhos até o pequeno apartamento em Moema, pela Avenida 23 de Maio, meu primo perguntou:

- Então? Qual a primeira impressão?

- Parece um fliperama!

Ele riu e completou:

- É! E tu estás dentro do fliperama!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Alguma coisa acontece no meu coração



Sampa
por Caetano Veloso

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa


sábado, 3 de janeiro de 2009

O mochileiro das galáxias em Boston


Novembro de 2006. Continuação do mochilão pelos EUA.
Após os dias iniciais em NYC, estava eu, pela manhã, na Penn Station (Madison Square Garden, perto da Times Square), aguardando o trem para Boston. A
Amtrak foi outra boa surpresa que tive nos EUA. As linhas que pertencem ao eixo Washington DC - Boston são um ótimo serviço de trem. Comprei os trechos todos pela internet, retirei os bilhetes muito rapidamente e quando embarquei no trem... uau! era excelente!!! Poltronas bem confortáveis e espaçosas, com mesinha e tomada para quem quiser usar laptop. Ótima primeira impressão! Chegando à Boston South Station, liguei para meu amigo e nosso inestimável CEO Newton Maia Pelarius Maximus, que me orientou a pegar um táxi para a Harvard Business School (HBS) e me recebeu no apartamento que divide com outros dois brasileiros do MBA. Interessantíssimo conhecer o HBS lifestyle. A turma de segundo ano (da qual o Newton fazia parte na época) estava em semana de entrevistas e portanto não tinham aulas. Praticamente todas as noites rolavam reuniões de brazucas e afins nos apartamentos, para ver filmes, tomar vinho e falar besteira. Numa dessas, apareceu um italiano figuraça com um provérbio que achei fantástico: "Dio maledica chi non lica la fica". Lição de vida!

Fiz um tradicional fooling around no campus e, no dia seguinte, um trolley tour pela cidade. Boston é separada de Cambridge pelo Charles River (foto ao lado, com vista de Boston a partir de Cambridge). Harvard e MIT (pra quem não conhece, duas das universidades mais cultuadas do mundo) ficam às margens do rio, sendo apenas a HBS fica no lado Boston. A presença das duas universidades faz com que Boston tenha uma das populações mais escolarizadas do mundo.

A primeira balada que rolou em Boston (depois do tradicional vinho no apartamento) foi no Rumor, que às quintas-feiras toca música latina. Em Boston existe um "curfew", um toque de recolher que faz as baladas fecharem às 2h da manhã. Com isso, rolam duas coisas curiosas. A primeira é que, como as pessoas chegam na balada às 11h e sabem que só ficarão até as 2h, rola uma certa tensão das pessoas em aproveitar logo a festa antes que acabe, uma urgência pela "maximização de utilidade"! A outra curiosidade é a hora do curfew. As luzes da boate acendem, a música para e os seguranças começam a empurrar todo mundo pra fora, gritando "acabou! acabou! o local vai fechar!". Mas foi divertido!

Finalmente, na manhã de sexta-feira, fui ver como era uma tão famosa aula na Harvard Business School. Fui como "visitor" de uma aluna brasileira do primeiro ano, que conheci no "wine happy hour" do dia anterior (ser "visitor" significa ser apresentado à turma e ao professor, mas ter que entrar mudo e sair calado, sob pena de repreensão ao seu "convidante"). Ela me sugeriu assitir à aula de "leads", em que seria discutido o caso da Nissan no Japão (empresa automotiva que estava à beira da bancarrota e foi reestruturada na gestão do brasileiro Carlos Gohsn). É uma aula bem diferente. Os alunos recebem dias antes uma descrição do caso e basicamente o professor vai conduzindo um debate entre os alunos na aula. Como a maior parte da nota é dada pela participação nesses debates, rola uma tensão de todo mundo querer falar. Assim, em uma sala com 90 alunos, a cada vez que um termina uma frase outros 20 levantam a mao querendo fazer algum comentário e o professor aponta um dos 20 para falar.

Na sequência, fui almoçar no refeitório da universidade e acabei decidindo assistir também à aula de financas, já que é a matéria que mais tem a ver comigo. Confesso que nesta eu fiquei agoniado em não poder participar. A aula era sobre CAPM e, sendo eu um trader grafista e pragmático que acha que CAPM é uma bullshitagem que só rende dinheiro pros caras que o inventaram, fiquei me coçando pra dar uns palpites. Mas consegui me comportar.

Bom... depois das aulas na HBS, soube da notícia de que um dos colegas do apartamento em que eu estava hospedado recebera oferta da McKinsey, que era o que ele mais almejava. Então fomos um grupo celebrar a notícia em uma steak house (muito parecida com o Outback) chamada Bugaboo’s Creek.


No sábado, fui conhecer Boston a pé. Já havia feito um tour pela cidade em um trolley (com o motorista dando informações sobre a cidade), mas nada como gastar uma solinha, conversar com os nativos e ir descobrindo as coisas pitorescas de uma cidade by yourself, vivenciando as "experiências antropológicas" (expressão do meu amigo Alejandro Tapias). Andei pelas redondezas do Common, um parque bem bonito no centro da cidade, por onde passa uma linha que eles chamam de Freedom Trail. Trata-se de uma linha vermelha pintada no chão, com cerca de 6 milhas de extensão e ao longo de 16 pontos turísticos da cidade. A linha representa o percurso seguido por Bostonians revoltosos em um movimento libertário do século 18.

Na sequência do Common, fica uma avenida chamada CommonWealth, que tem um meio-fio (ou ilha, como dizem os paulistas) largo e arborizado, parecendo a própria extensão do parque (foto ao lado). Os Bostonians se gabam de Winston Churchill ter dito uma vez que a CommonWealth era o lugar mais bonito que ele conhecera nos EUA. Minha opinião a respeito é: ele não deve ter conhecido o Central Park (nem o Grand Cannyon, nem Henderson Beach).

À noite, baladinha... O point da vez foi o Caprice, festinha de aniversário de uma galera da HBS. Como chegamos cedo, percebi que as baladas de Boston só ficam mesmo hardcore (quando começa a música latina e o dirty dancing) depois das 11h. É a partir daí que a galera começa a observar que só terá mais 3 horas para tomar os territórios e por isso a guerra se torna mais sangrenta, hahahaha! Muito divertido!

Domingão, último dia em Boston. Depois de tanta convivência com a galera de Harvard, não poderia deixar de ir prestigiar tambem os vizinhos – o MIT, Massachusetts Institute of Technology. No caminho até lá, parei no MIT Museum, que, apesar de pequeno, é um prato cheio para os entusiastas de tecnologia. Particularmente, curti muito as salas de holografia e de inteligência artificial do museu. Outra coisa curiosa é o visual dos prédios do MIT (fachada do prédio principal em foto abaixo). Enquanto em Harvard, os prédios têm aquela cara de tradição, com os tijolos bem vermelhos à mostra, no MIT rolam umas arquiteturas futuristas muito bacanas (como a dos quadrinhos coloridos nos dorms, na foto abaixo). Talvez a que mais chame atenção seja a do Artificial Inteligence Labs (outra foto abaixo), laboratório montado a partir de uma modesta doação de US$ 20 milhões de Bill Gates.





domingo, 28 de dezembro de 2008

O mochileiro das galáxias em New York City


Outubro de 2006. O avião começou a sobrevoar a cidade por volta das 7h30. E que vista! O emaranhado de ilhas e portos com aqueles prédios gigantes e aquela profusão de luzes é realmente breathtaking. Às 8h, aterrissagem no JFK. No aeroporto, bem menos aporrinhação do que eu imaginava, e na rua, os tais 7 graus do WeatherChannel! Peguei um busão do airport service, que me largou perto da Times Square (só que àquela altura, eu não fazia a menor idéia de que estava perto da Times Square, nem sabia se isso era bom ou ruim!). Eu só sabia que a estação 103rd st, da linha 1 do metrô, me deixaria a uma quadra do hostel.

O METRÔ

Entrei em uma estação do metrô e descobri o tamanho da encrenca. O metrô de NYC é cheio de minúcias que são verdadeiras "pegadinhas" para quem não é familiarizado com elas:

1 - O sentido das linhas não é indicado pela estações das extremidades, mas por Downtown (& Brooklyn) e Uptown (& The Bronx), que são extremos da cidade.
2 - É comum que por uma mesma estação passem várias linhas. Isso torna a sinalização nas estações um festival de placas para todos os lados. E, no meio do monte de placas, é importante reparar se há ou não uma seta no início da placa. As placas sem seta indicam que o local apontado na placa é ali mesmo. As placas com seta apontam aonde ir para encontrar o local indicado. Bastante óbvio, mas, no meio da correria das pessoas e dos zilhões de placas, é comum não atentar para as setas e tirar conclusões erradas. Vi até nova-iorquinos mesmo caindo na pegadinha.
3 - Outra, que talvez seja a mais tricky, é que é comum várias linhas compartilharem o mesmo trilho em certos trechos e depois o trilho bifurcar e cada linha seguir para um lado. Assim, pode acontecer de você estar em uma plataforma por onde passem as linhas 1, 2 e 3 mas apenas a linha 1 seguir até a estação onde você queira desembarcar. Isso significa que, se você pegar o primeiro trem que passar naquela plataforma (sem reparar se é o 1, o 2 ou o 3, por exemplo), pode ir parar bem longe de onde gostaria.
4 - Existem peculiaridades algumas linhas. Exemplo: pelo mapa, a linha 1, sentido downtown, segue até a South Ferry Station. Só que, na prática, apenas os 5 primeiros vagões vão realmente até lá. Os outros ficam na estação anterior. Isso é indicado em placa e avisado pelo metroviário, mas não deixa de ser mais uma coisa que pode atrapalhar os desatentos e desavisados.
Obviamente que na primeira viagem de metrô eu não sabia de nada disso. Fui atentando à medida em que fui usando.
Outra coisa é que o metrô é centenário e isso é absolutamente visível, sem disfarces. Tem coisas que parecem não ter recebido nem um retoquezinho de tinta desde a inauguração!
Por fim, vale a pena dar uma planejada rápida sobre qual bilhete comprar. No final de 2006, os bilhetes eram vendidos na máquinas e existiam as opções "single ride", que custava $2, e "metrocard - unlimited ride", com preços de $7 para a opção 1-day e $24 para a opção 1-week. Assim, se for fazer mais de 3 viagens no período de um dia, é mais vantajoso comprar logo o metrocard de 1 dia. Detalhe: o metrô funciona 24 horas e o metrocard de 1 dia vale até as 3 da madruga. Se for fazer mais de 12 viagens no período de 1 semana, é mais vantajoso comprar o metrocard de 1 semana.


A CIDADE

Como é básico, a primeira coisa que um mochileiro faz (depois de largar a mochila em algum locker) é descolar um mapinha e começar a entender a geografia da cidade, fazendo um tradicional "fooling around".Pois bem... O primeiro passo para entender NYC é segmentá-la em 4 grandes regiões mais algumas ilhazinhas. As 4 regiões são Manhattan, Brooklyn, The Bronx e Queens. Conheci apenas a ilha de Manhattan. Concordo que isso dá uma visão enviesada da cidade, mas é lá que ficam 90% dos must-go places da cidade... e esses locais são muuuuuuitos.
Manhattan é uma ilha comprida no sentido norte-sul (ou uptown-downtown, respectivamente), com avenidas longitudinais e ruas transversais. Ou seja, as sagradas noções de paralelismo e perpendicularidade são respeitadas no traçado das ruas. Exceção feita à Broadway Avenue, que corta a ilha numa diagonal. No sentido leste-oeste, as avenidas são numeradas, sendo as principais as do centro - 5th, 6th e 7th. Depois da 7th, lado oeste da ilha, elas passam a receber nomes (Columbus Ave, Amsterdam Ave, etc). Quanto às ruas, elas são numeradas do centro para o norte (uptown). No lado downtown, elas recebem nomes.Na parte uptown, a divisa entre West Side e East Side é o Central Park, o maior parque urbano do mundo e um dos lugares mais espetaculares que já conheci!!!
O centro da ilha é a 42nd St, entre a 5th e a 7th Aves, que corresponde à região de Times Square - o festival de outdoors, neon e letreiros luminosos mais impressionante dessas bandas! Também próximo dali ficam o Empire State Building (prédio mais alto da cidade depois da queda do WTC) e o Rockefeller Center, que é o "shopping Iguatemi" de NYC.
Na parte downtown (sul de Manhattan), fica o centro financeiro - onde está Wall Street e onde ficava o World Trade Center. Também ficam lá os bairros das grandes colonias de imigrantes - Chinatown e Little Italy. (Little Brazil fica na 46th St, mais no centro). E bem ao sul da ilha fica a South Ferry Station, de onde partem ferry boats para as ilhas onde ficam a Estátua da Liberdade e o museu da imigração (Ellis Island) e para New Jersey. Esses percursos de ferry boat duram coisa de meia hora.A ilha de Manhattan é conectada por pontes ao The Bronx na parte norte e ao Brooklyn na parte sul. O Queens é uma região vizinha ao Brooklyn.

O HOSTEL

Atenção, mochileiros! Não esperem do HI-NY a mesma qualidade dos melhores hostels do mundo (como o Milhouse de Buenos Aires ou o Le D'Artagnan de Paris). Eh um hostel comum, sem grandes diferenciações. Só que, como é mais caro que a média ($30 um 12-bedded para associados), acaba decepcionando por não ser também melhor que a média. Não tem café incluso, mas eu gastava cerca de $4 para tomar café na cantina deles. Fica na esquina da Amsterdam Ave com a 103rd St, a uma quadra do metrô, 3 quadras do Central Park, 3 quadras de uma filial da NY Public Library (100th St, entre Amsterdam e Columbus Aves), onde se pode acessar internet gratuitamente (no hostel, custa $0,10, com preco mínimo de $2) e tem supermercado a umas 5 quadras. Apenas no dia em que fui embora, descobri outro hostel que me pareceu mais interessante - Central Park Hostel - a meia quadra do parque. Fica anotado para a próxima ida...

O CENTRAL PARK

Como o check-in no hostel era somente à 16h e cheguei lá às 11h, deixei o mochilão no locker e fui dar uma volta no Central Park. Caras... que lugar é aquele?!!! Não dá mais vontade de sair de lá!!! A área do parque se estende longitudinalmente por 52 quadras e tem um sem-número de jardins (Shakespeare Garden, Strawberry Fields, Hans Cristian Andersen's, Alice in the Wonderlands), campo de futebol, quadra de tênis, várias lagoas e um lago maior e que eles chamam de The Reservoir Jackeline Kennedy Onassis. O Reservoir fica bem no centro do parque e tem uma pista circular de terra ao redor onde a galera vai correr. (Na verdade, a galera mais profissa nas corridas corre no percurso que circunda o parque inteiro, mas achei o Reservoir o lugar mais show pra correr). Tem inclusive um velhinho por lá, apelidado de "prefeito do Central Park", que foi o primeiro cara a correr ao redor do Reservoir. Na boa... a pessoa que viver ao lado do Central Park e puder todo dia dar uma corridinha ou uma passeada descompromissada por lá não pode se queixar a respeito de qualidade de vida!


















DOWNTOWN E AS BALADAS


Depois do passeio no Central Park e do check-in no hostel, as três noites de pouco sono que tinham se antecedido pesaram mais e acabei capotando. No dia seguinte, fui conhecer o centro financeiro - Wall St e o WTC - e fiz a foto com o touro da Bolsa de NYC, que ainda será histórica e valerá milhões de doletas, hahahaha! Eu a chamo de The Taming of the Bull, ou, em português, O Touro Domado.

















Pra terminar o dia, uma baladinha na Bleecker St, uma rua no centro cheia de barzinhos com música ao vivo. Como os bares eram "free admission", fui entrando em cada um e curti muitíssimo. A segunda coisa que adorei (a primeira foi a entrada de graça!) foi uma lei que vigora em alguns estados americanos (New York entre eles) que proíbe que as pessoas fumem em lugares fechados, o que inclui as baladas. Vocês têm noção do que seja isso? Balada sem fedor... roupas sem fedor na volta pra casa... ambiente respirável... simply great!!! O barzinho que curti mais foi o The Red Lion e o que fechou a noite não podia ter nome mais sugestivo - The Bitter End. Dia seguinte... domingão. Dia de tradicional passeio pelo centro de NYC: Times Square (que inclui o painel da Nasdaq, o Hard Rock NY, outdoors das mais de 10 peças da Broadway em cartaz, Bubba Gump e, como em todas as esquinas dos EUA, uma Starbucks), Rockefeller Center e, por fim, o observatório médio do Empire State no 86o andar (o mais alto fica no 103o). O elevador sobe tão rápido até o 80o andar que o painel vai pulando os andares de 10 em 10 e a gente tem aquela mesma sensação de tampão nos ouvidos que temos em decolagens e aterrissagens de aviões.


A ESTÁTUA DA LIBERDADE E A BROADWAY

Fechando o dia, uma baladinha básica em um bar chamado Grooves, perto da Bleecker St e da NYU (New York University, a razão de haver tantos barzinhos por ali). Finalmente, a Estátua da Liberdade. A fila assusta, mas daí vale a máxima "tá no inferno, abraça o capeta!". Uma hora na fila, meia hora no ferry boat e lá está ela... a estátua. Além do aspecto histórico-cultural envolvido, foi criado ao redor da estátua, na ilha, um ambiente agradabilíssimo que, por si só, já faz o passeio valer a pena. E quando achei que já iríamos retornar a Manhattan, eis que o ferry boat segue para Ellis Island, a ilha onde ficava o controle de imigração entre 1890 e 1920. Nessa época, centenas de milhares de europeus embarcaram em navios, fugindo da miséria, rumo à terra que eles viam como lugar de prosperidade. Após meses no navio, a primeira visão que eles tinham de New York era a Estátua da Liberdade. Os navios, então, paravam em Ellis Island, onde os imigrantes eram registrados. Com a redução do movimento e a massificação do avião como meio de transporte transcontinental, o serviço na ilha foi desativado e somente nos anos de 1990 foi criado um museu da imigração, reconstituindo o lugar. Durante esse passeio, lembrava-me constantemente da cena do "Poderoso Chefao 2", com a chegada de Vito Corleoni à América.
























E para encerrar o dia, uma Broadwayzinha vai bem! Para manter a tradição dos "first time visitors" de New York, fui de "Fantasma da Ópera" (embora sinceramente preferisse "Spamalot", que jah estava com ingressos esgotados). Como eu já tinha tido uma péssima experiência com "Les Miserables" no Brasil (muita produção pra pouca atuação), fui de "pé atrás". Mas taí que o espetáculo me surpreendeu positivamente! De fato, o cara que fazia o Fantasma não me agradou e a qualidade de várias cenas ficava mesmo só por conta da produção e da trilha sonora genial do Andrew Lloyd Weber. Mas a Kristine, o Raoul e o elenco de apoio davam conta do recado e achei que o resultado ficou bom. Talvez pela própria trama do Fantasma não ser tão densa quanto dos Miserables, a peça fica realmente mais "broadwayable". Por fim... último dia em NYC, uma passada no American Museum of Natural History e no campus de Columbia, ambos na região do Central Park. À noite, Halloween! Interessante como o Halloween parece o carnaval de lá. As pessoas andam pelas ruas fantasiadas (rumo às festas e concursos de fantasias) e eufóricas! Bem divertido!



sábado, 27 de dezembro de 2008

New York, New York

New York New York (Frank Sinatra)

Start spreading the news
I'm leaving today
I want to be a part of it
New York, New York

These vagabond shoes
Are longing to stray
Right through the very heart of it
New York, New York

I wanna wake up
In a city that doesn't sleep
And find I'm king of the hill
Top of the heap

These little town blues
Are melting away
I'll make a brand new start of it
In old New York

If I can make it there
I'll make it anywhere
It's up to you
New York, New York

I want to wake up
In a city that never sleeps
And find I'm A number one
Top of the list
King of the hill
A number one

These little town blues
Are melting away
I'm gonna make a brand new start of it
In old New York

And if I can make it there
I'm gonna make it anywhere
It's up to you
New York New York

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O palhaço de Notre Dame


Quem me conhece sabe da antipatia que tenho por franceses. (Na verdade, não sei se é por franceses ou especificamente por parisienses, dado que até hoje só conheci uma francesa não parisiense - Sandrine, de Lyon - e ela era muito agradável, além de ser gata e falar inglês).
Pois eis que era janeiro de 1999 quando eu estava mochilando pelo Velho Continente e, após um memorável revéillon em Barcelona (digno de um post no futuro) e após muito enchimento de saco por parte de um amigo que fazia esse trecho do mochilão comigo, fui convencido a embarcar em um TGV para Paris.
Uma moça no trem andava pelo corredor saudando todo mundo com um "Bon Anné, Bon Anné", o que parecia muito hospitaleiro, mas, dito em francês, me soava falso e irritante. O TGV era bem mais caro que os outros trens que peguei pela Europa mas, obviamente, era bem mais confortável pois era totalmente leito. Aquela foi a melhor dormida em trem na minha vida. Mas, como franceses (ou parisienses, sei lá!) têm o talento inato para a inconveniência e a arrogância, o fiscal de fronteiras veio perturbar meu sono quando o trem adentrou o país e, ao ver meu passaporte verde-escuro, falou com um risinho de canto de boca: "Brésil? Zidane!" Eu o mandei à merda em inglês, aproveitando que todo francês típico finge que não entende a língua que os passou pra trás.
Chegando a Paris, conheci:
- uma cidade relamente muito bonita (especialmente a região de Champs du Mars, ao redor da Tour Eiffel), mas beeeeeeeem menos charmosa que Viena e Buenos Aires;
- uma comida realmente deliciosa (até o café da manhã num McDonald's é saboroso!);
- um povo extremamente antipático, que fala com cara de poucos amigos e finge não entender inglês;
- um dos melhores albergues que já conheci (Le D'Artagnan, da Hostelling International), onde tinha um ótimo jantar e até um cinema!;
- uma fila interminável para visitar coisas sem graça no Museu do Louvre (incluindo o quadro da Mona Lisa, que é minúsculo e, cercado de japoneses com câmeras, fica quase invisível);
- excêntricos visitando túmulos do Jim Morrison, do Alan Kardec e do Oscar Wilde no cemitério Peré Lachaise;
- a beleza e a imponência do Palácio de Versalhes, desde os intermináveis jardins até o Hall dos Espelhos;
- um sistema de metrô muito bom, mas com usuários (franceses, obviamente) fedendo, abraçados com cachorros e pulando catracas;
- a imponência do Arco do Triunfo e da Champs Elisées; e, finalmente...
- a Catedral de Notre Dame, palco da mais cômica estripulia que me lembro de ter feito em mochilões.


Como disse, era mês de janeiro... e ventava absurdamente na cidade. Não era um vento agradável e refrescante, como o leitor pode estar imaginando. Eram verdadeiros tufões, rajadas que lhe empurravam para trás quando você andava na rua! Supus que fosse um fenômeno típico dos meses de inverno por lá, porque todos os pontos turísticos que tinham partes altas (Torre Eiffel, torres de catedrais, etc) estavam com proibições de acesso a esses setores, creio que para evitar acidentes com turistas voadores.
Como o leitor é bastante perspicaz, já deve ter deduzido que, quando visitei a catedral de Notre Dame, a torre mais alta estava fechada pra visitação (suponho que por causa do vento muito forte). E isto aparecia em avisos afixados na entrada da catedral, escritos em vários idiomas, dentre os quais o português. Mas é aí que chegamos ao início da historinha. O aviso em português dizia:
A TORRE DA CATEDRAL VAI FICAR FECHADA ATÉ ABRIU.
Ao mesmo tempo em que imaginei que o mês de abril marcasse o final da temporada de ventos fortes, incomodei-me com o flagrante e escandaloso erro ortográfico do "ABRIL" escrito com "U" no final. Afinal, um povo que tanto me torrara a paciência para que eu admirasse a língua dele aparece, num rompante, aviltando a minha!
Não me contive e fui reclamar (em bom inglês, para ficarmos na neutralidade entre as partes) com a moça responsável pelos avisos.
- Com licença. Sou brasileiro, nativo de língua portuguesa, e estou incomodado com um erro orotgráfico gritante que vocês cometeram no aviso em português. Acho que vocês devem tratar com mais cuidado as línguas dos outros!
Surpreendentemente, a moça mostrou-se preocupada, desculpou-se, e prontamente sacou uma caneta para corrigir o erro.
- Qual a grafia correta, senhor?
- ABRIL não se escreve com U no final, mas com... ... ... R!
Ela empunhou a caneta e corrigiu o aviso, conforme minha recomendação:
A TORRE DA CATEDRAL VAI FICAR FECHADA ATÉ ABRIR.

Mais Teresina em verso




Letra da belíssima canção de Aurélio Melo & José Rodrigues, considerada o "hino não-oficial" de Teresina. Na estrofe final, a única de que não gosto, uma alusão ao mercado do Troca-Troca. (Infelizmente, não encontrei um vídeo com uma execução decente da canção)...






Teresina

Ei, você me deixa tonto, zonzo
Quase como um louco de encantamento
Eu desanoiteço no seu todo de mulher

E no verde dos seus olhos de menina
Seu olhar de querubina faz o sol me esquentar
E quando é noite a lua nina Teresina
Que desatina até o sol raiar

E de manhã eu olho pra Timon
E sinto um gosto bom do Parnaíba a desaguar
Então eu choro transbordantemente
De alegre enchente no meu coração

São dois veios vivos como as águas claras
Desse Parnaíba que não volta mais
Apenas olho minha Teresina
Como quem delira na beira do cais

Ai, troca, quem troca destroca
Minha Teresina não troco jamais
No Troca-Troca, quem troca destroca
Minha Teresina não troco jamais


quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Cajuína (Caetano Veloso)

Bebida-símbolo do Piauí, a cajuína é uma espécie de "suco de caju cristalino, não travoso, não adstringente", textura de água e sabor de caju. A textura ímpar deve-se ao processo de fabricação, que retira a "turvação" do caju. Feita para ser bebida bem gelada, seu sabor refrescante combina à perfeição com os termômetros da cidade, sempre acima dos 30 graus.

E a bebida virou também música, em versos belíssimos de Caetano Veloso para homenagear a cidade a partir de uma história igualmente bela. Não sei se eram os idos dos anos 60 ou 70, mas era, segundo consta, a primeira vez que Caetano se apresentava na cidade. Durante o espetáculo, um menino conseguiu sutilmente subir ao palco e entregar uma pequena rosa ao poeta. E a cena o fez perguntar-se (e perguntar-nos): "Existirmos... a que será que se destina?"

Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina


quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Belém do Pará, por Eder Fabrício

A Belém que conheço hoje não é bem a mesma do poema do Bandeira (post abaixo)... Ela continua a cidade das mangueiras e a Generalíssimo continua lá (liricamente, brasileiramente). Por sinal, a Generalíssimo é meu corredor preferido de mangueiras... a despeito do temor de estar passeando por ela e ser agraciado com uma manga maduríssima na cabeça ou na lataria do carro. Mas a Generalíssimo já não faz mais esquina com a São Jerônimo. Simplesmente porque algum governo - sempre um governo! - resolveu expulsar o santo da cidade e rebatizar a avenida como "governador josé malcher". Porém na boca dos mais antigos, que já amam a cidade há muitas décadas, ela continua São Jerônimo!

Em ambas as avenidas - e em mais dezenas de endereços na cidade - tem sorveteria Cairu, o melhor sorvete do mundo! Principalmente se for o de açaí com tapioca.

E as bandeirinhas triangulares roxas, que sinalizam pontos de venda de açaí, continuam em todas as esquinas da cidade.

Também estão lá as banquinhas de venda de tacacá, que, apesar de delicioso, só mesmo sendo paraense pra saborear durante o dia, com todo aquele calor. Tacacá que nunca me permitiu descobrir se o melhor do sabor vem do tucupi, do jambu, do camarão... ou da cuia! (Há quem diga que é do palitinho).

De uns anos pra cá, a cidade morena ganhou (finalmente) ares mais turísticos. O Mercado do Ver-o-Peso, feira livre junto ao cais e primeiro item na agenda dos turistas, continua lá, com suas vendas de pirarucu, tucunaré (esses são peixes), bacuri, cupuaçu, pupunha, biribá, sapoti (essas são frutas) e essência de patchuli. Ah, o cheiro de patchuli na Presidente Vargas!!! Por que é que textos não produzem cheiros, hein?! E as essências e plantas e sementes e mandingas que curam de tudo, de dor de dente a dor de corno e dor de cotovelo, estão lá, nas barraquinhas do Ver-o-Peso. Mas logo ao lado, onde havia décadas era a sujeira do cais, agora está a Estação das Docas - de uma formosura que turista tem que ver! E nativo também! A versão amazônica de Puerto Madero. Boa comida e boa música à lua e ao vento do cais. Um agrado aos olhos, ouvidos, nariz, boca e tato. Plenitude.

Pela avenida Doca de Souza Franco, que virou o point das noitadas divertidas, dá pra pegar de volta a Generalíssimo e retornar a Nazaré, pra ver a linda praça e a Basílica.

Durante o dia, ali ao lado, tem o Museu Emílio Goeldi, com toda a flora e a fauna que só a Amazônia tem, com vitóras-régias, peixes-bois, quatis e bichos-preguiça. E quem achar o museu pequeno pode ir até a avenida Almirante Barroso e entrar no Bosque Rodrigues Alves também.

No final da avenida, a obra do Niemeyer sinaliza que você chegou ao entroncamento e precisa decidir: quer pegar a rodovia Augusto Montenegro e conhecer o estádio do Mangueirão (moderno e belíssimo) e o cais do porto de Icoaraci (onde se pega o ferry boat para a espetacular Ilha do Marajó) ou quer pegar a BR-316 e rumar para as praias deliciosas da Ilha do Mosqueiro ou de Salinas (mais afastada)? Sugestão: escolha qualquer um. Noutro dia, volte e escolha o outro. Você vai se encantar por ambos os caminhos!

E na cidade ainda tem o Mangal das Garças, o Pólo Joalheiro, o Forte, a Casa das Doze Janelas... É, o Bandeira estava certo...

Bembelelém
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.

O mochileiro das galáxias e a JAL


A seguir está um post retirado (e adaptado) de um blog temporário, chamado mochileiro das galáxias, que criei para os curiosos acompanharem um mochilão que eu fazia à época...

O Mochileiro das Galáxias espera que, após a leitura de alguns posts, as pessoas se sintam encorajadas a levantar da cadeira, pegar um bom par de calçados e uma mochila e sair para conhecer seus vizinhos, mesmo que eles estejam um pouquinho pra lá do horizonte. Welcome aboard!!!

Noite de quinta-feira, 26 de outubro de 2006. Minha primeira curiosidade era sobre o vôo da JAL. Sim, porque mochileiro que se preza pesquisa o vôo mais barato e descobre que SP-NYC não é pela AA, Delta, United ou Continental, mas pela gloriosa Japan Airlines!!! O vôo era Sampa-NYC-Tokyo e, conforme esperado, a grande maioria dos passageiros eram japas. Japas mesmo! Não estou falando de nissei, sansei ou não-sei, mas de japas mesmo, daqueles com quem a comunicação beira o inviável! E os avisos, tanto no aeroporto quanto na aeronave, eram dados primeiro em japonês e só então em inglês e português. A outra coisa que achei muito curiosa foi que, no serviço de bordo, antes de ser servida a comida eram distrbuídas aquelas tradicionais toalhas quentes!!! O que é ferrado é que, com isso, o serviço de bordo fica muuuuuuuito demorado e, a despeito de o avião ter decolado meia-noite e pouco, as luzes só foram apagadas às 3h. Como eu já tinha dormido poquíssimo nas duas noites anteriores (em função da Mostra de Cinema de São Paulo e dos botecos que se seguem a ela), fiquei realmente detonado...

Mas se tem uma coisa que tenho em comum com os japas é o gosto por tecnologia. Não lembro que modelo de Boeing era (os amigos aeronáuticos talvez possam ajudar), mas rolavam LCDs individuais para todos os passageiros com um menu de opções por filmes, rádio, informações sobre o vôo, jogos ou a programação principal do avião (que também era transmitida em um telão). Ao controle remoto era acoplado um telefone. E, tanto na decolagem quanto na aterrissagem, a programação principal mostrava a visão dos pilotos, o que eu achei muito show! Aproveitei para ver o filme do Al Gore sobre o aquecimento global. Interessante o filme, mas como eu odeio frio e tinha visto no WeatherChannel que estaria fazendo 7 graus Celsius em NYC, confesso que vi o filme pensando "Fuck Al Gore! Hail to the global warming!"

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Errante


Talvez a "letra E" mais presente na minha vida seja a de errante.
Não me lembro da minha primeira migração mas a história oficial conta que foi aos 2 anos de idade, quando meus pais me levaram da minha querida Belém do Pará, onde nasci, para Oeiras (cidade que fora, em tempos coloniais, capital do Piauí). Curioso as duas cidades (Belém e Oeiras) serem homônimas de cidades portuguesas. Não sei o quanto isso é revelador de nossas influências coloniais... foi uma idéia que só me ocorreu agora.

De Oeiras, onde vivi dos 2 aos 6, tenho poucas lembranças. Um pátio amplo na frente da casa, com um grande portão separando-o diretamente da calçada. Nas minhas recordações caleidoscópicas, havia uma praça em frente - lembrança esta negada pelos meus pais. Eu adorava ir ao pátio para ver a rua, jogar bola com meu pai e ler gibis (segundo minha mãe, não sei com quanto exagero de uma escorpiana, a partir dos 2 anos eu já me aventurava nas letras). Lia os gibis em uma pequena cadeira de espaguete verde-claro (miniatura da que está na foto abaixo) e foi num deles que vi o anúncio de um uniforme do homem-aranha, com uma máscara de borracha (bastante inadequada para o calor piauiense, mas qual criança se importa?). Também era nessa cadeira que costumava comer pudim em um pyrex em frente à TV, vendo Sítio do Pica-Pau Amarelo. Recordo ainda o choro e a lamentação de uma vez que deixei o pyrex escapulir-se da minha mão e partir-se no chão. Lembro-me de um vizinho, ainda mais novo que eu, chamado Aldinho, que quando queria água pedia "ábum". Lembro-me de fugir, de vez em quando, para a casa do Dito e do Bita - na minha memória, já pré-adolescentes -, que eu tinha como meus grandes amigos. E isso é tudo o que vejo no caleidoscópio quando olho para Oeiras.









Aos meus 6 anos, quando a memória consciente começa a ficar mais sólida, rumamos para José de Freitas, mais uma escala no interior do Piauí. De lá, recordo-me de amigos e histórias que merecem mais espaço, em outros posts.

Aos 9 anos, a próxima escala em companhia dos meus pais seria Teresina, a capital que homenageia o nome de Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II. As escalas seguintes já seriam aventuras solitárias, depois de meus pais assentarem-se em Teresina e transformarem a cidade no porto seguro para onde retorno de quando em quando. A motivação em ir para a capital eram meus estudos e, de fato, uma das coisas de Teresina que carrego no coração é o glorioso Instituto Dom Barreto (IDB), que também terá mais espaço em outros posts.











16 anos e uma nova parada (a quinta, se o leitor ainda não perdeu as contas): São José dos Campos, interior de São Paulo, mais uma vez por motivos de estudo - dessa vez, a faculdade. O primeiro vôo solitário a um lugar desconhecido e a temporada joseense também merecerão posts específicos. Mas cumpre lembrar que foi lá que aprendi a MOCHILAR (meu verbo preferido): de explorações no sul-sudeste do Brasil a incursões no velho continente, La Poderosa (na foto ao lado) tornou-se minha companheira inseparável. E a partir de lá que tomei as próprias rédeas de meu papel de errante.

22 anos. Formatura e, mais uma vez, malas prontas. Dessa vez, para trabalhar na Sampa City, a cidade que adotei (ou que me adotou, sei lá). Das cidades onde vivi depois da infância, São Paulo foi a que, de fato, mexeu favoravelmente com meu coração - e isso não se deu na esquina da Ipiranga com a São João, apesar do ótimo Bar Brahma ali presente, mas talvez na Av. Paulista. Há outras terras que conheci de passagem e que igualmente - ou até mais - me encantaram. Mas Sampa eu quis que fosse - e quero que seja (sempre) - uma "passagem duradoura".

Para manter o padrão de 1 cidade a cada 4 anos, surgiu inesperadamente, aos 28 anos, uma escala temporária (de 2 anos) em Belo Horizonte, Minas Gerais. O que me chamou foi um mestrado (cujo convite me chegou no meio de um mochilão na California!) e é de BH que escrevo as primeiras linhas desse blog.

Próxima parada será um retorno a Sampa. A seguinte... não faço idéia! Mas, como diz um primo a meu respeito, "sou errante porque erro muito". Concordo. E pretendo continuar errando... cada vez melhor.