terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O mochileiro das galáxias e a história americana: Philadelphia e Washington, DC


Novembro de 2006. Segunda-feira foi acordar bem cedo em Boston e rumar para a South Station, para pegar o trem para a Philadelphia. Mais uma ótima viagem pela Amtrak.

A Philadelphia me pareceu um lugar estranho. Mesmo estando a menos de duas horas de NYC (de trem) e sendo também uma referência acadêmica e histórica, a cidade parece muuuuuuuuuuuuito provinciana. Lembrei-me de um texto teatral do David Ives sobre uma cidade em que as pessoas sao letárgicas e tudo dá errado. No Brasil, esse texto foi traduzido como Brasília (que eu achei uma tradução perfeita), mas o original chama-se exatamente “The Philadelphia” (com o artigo mesmo, coisas do teatro do absurdo). O metrô cruza a cidade de uma ponta a outra em menos de meia hora e – o mais inacreditável – as estações são a cada 2 ou 3 quarteirões!!! Eu cronometrei 20 segundos entre cada parada do metrô. É o tempo que se leva entre os avisos sonoros no trem: “Doors are closing” e “Doors are opening”.

Tal como em NYC (e em Washington, DC), existem grandes avenidas longitudinais, que recebem nomes, e ruas transversais numeradas. A principal longitudinal eh a Market St, que corta a cidade de leste a oeste, sentido em que as ruas sao numeradas, e divide-a em norte e sul. Na extremidade leste, fica a parte de turismo histórico. Na oeste, a Univesity of Pennsylvania (UPenn), onde fica a Wharton Business School. No centro, a Rittenhouse Square, região onde morava nosso dileto Mellllton (o terror das japa girls da Pennsylvania), que gentilmente me hospedou.

Como se poderia esperar, na Philadelphia (estado da Pennsylvania), tudo recebe o apelido de Philly’s (ou Phillies’) ou Penn’s.

Historicamente, a cidade é conhecida como a antiga capital federal (anterior aa construção de Washington, DC) e o lugar onde foi assinada a Independência, em 1776 (daí o time de basquete chamar-se Philadelphia 76ers). Seus cidadãos ilustres são Benjamin Franklin e Thomas Jefferson e, no lado leste da cidade, fica o Independence National Historical Park. Nesse parque, estão o Liberty Bell Center e o Independence Hall.

O primeiro é um sino tomado como símbolo do acordo de independência. O sinal evidente desse sino é uma espessa rachadura vertical nele. A história que se conta é que originalmente havia uma rachadura “da espessura de um fio de cabelo”, razão pela qual se mandou consertar o sino. Após o conserto, quando ele foi colocado para soar pela efeméride do aniversário de George Washington, a rachadura original agravou-se e o sino silenciou definitivamente.


Como anti-estadista que sou, achei muito simbólica essa história. Enquanto o marco era a conquista da independência a partir de um luta social, o sino soou vigorosamente. A partir do momento em que o processo fluiu para uma personificação do poder (o puxa-saquismo com George Washington), a liberdade calou-se pra sempre. Interessante! Quase filosófico!

Já o Independence Hall mostra o lugar onde foi assinada a Independência e onde funcionava o Parlamento anteriormente a Washington, DC.

Outra curiosidade sobre a Philadelphia é o Art Museum, que tem na entrada as escadarias onde foram filmadas as cenas do filme Rocky em que ele está treinando para a luta final. É comum nas lojinhas de souvenirs encontrar artigos com Rocky Balboa estampado.

Após conhecer o lado histórico, fui conhecer a UPenn e de lá segui para o centro. Como era segunda-feira (e a galera de Wharton que encontrei por lá estava atolada de trabalhos e provas), a night restringiu-se a um restaurante fantástico chamado La Viola.

Da Philapdelphia que não está nos guias de viagens, posso contar sobre a superstição que eles têm com o número 13 - os prédios não têm 13o andar - e recomendar belíssimas esculturas na estação de trem.






















Foi isso... manhã seguinte, trem para Washington, DC.

***

Cheguei a Washington, DC (District of Columbia, para diferenciar do Estado de Washington, que fica na costa oposta do país), no dia das eleições para o Senado. Passei um único dia na cidade, e limitei-me a fazer um turismo feijão-com-arroz. Não conversei com nenhum nativo. Fui apenas visitar os pontos turísticos.

Chegando à cidade de trem, na Union Station, que fica de frente para o Columbus Circle, uma caminhada de 10 minutos leva ao National Hall, um longo (estimo que uns 5 km) e largo (estimo que 1,5 km) corredor que liga o Capitolio (prédio do parlamento) ao Lincoln Memorial, passando por um obelisco chamado National Monument e pelo memorial à Segunda Guerra, que eu achei o mais bonito de todos. Pra quem vai no sentido do Capitólio para o Memorial, o corredor é delimitado à direita pela Constitution Avenue e à esquerda pela Independence Avenue, e ao longo das laterais do corredor há uma série de museus, dentre os quais o Museu da Aviação e do Espaço.

Na altura do obelisco, tomando-se o caminho transversal à direita chega-se à Casa Branca, que é contornada por uma cerca a uma distância de quase 1 km, ponto mais próximo a que se pode chegar (sem ser convidado).

Outros prédios interessantes que se podem conhecer ficam por trás do Capitólio... a Suprema Corte e a Biblioteca do Congresso, com o maior acervo bibliotecário do mundo.

Nas fotos abaixo, respectivamente, o Capitólio, o obelisco do Natinoal Hall, o Memorial de Lincoln e a Casa Branca.



3 comentários:

  1. Humm... Show! Estou indo para os EUA em meados de setembro. O vôo chega em Washington num domingo pela manhã. A idéia é ficar lá no dia da chegada e no outro dia à tarde seguir de trem em direção à Philadélfia, ficar por lá uns 2 dias e depois ir até NY. Gostaria de saber se a estação de trem que fica em Philadélfia é próxima das atrações turísticas e se existem guarda-volumes para guardarmos as malas (para caso decida não me hospedar na cidade) Gostaria também de uma dica sobre hospedagem com boa localização em Philadelfia e Washington. Em washington, vc saberia informar se a estação de trem é proxima da cidade? Agradeço se puder me ajudar.Obrigada.

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  2. Ah... outra coisinha... como faço para me informar sobre os horários dos trems? Muito obrigada. ANE

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  3. * Trens na costa leste americana (inclusive horários): www.amtrak.com
    * Estações de trem: a de Washington DC fica a poucos minutos a pé do Capitólio, da Suprema Corte e da Biblioteca do Congresso (a caminhada desses locais até o Lincoln Memorial, que dá uns 2km, é mais longa do que da estação de trem até lá); na Philadelphia, tudo fica muito perto de tudo via metrô.
    * Hospedagem em Washington DC não conheço. Na Phladelphia, tem albergue da Hostelling International, mas me irritei com esse albergue (porque eles têm "toque de recolher") e acabei ficando na casa de um amigo.
    * Guarda-volumes nos EUA-pós-11-de-setembro são um problema. Na maioria das estações de trens e ônibus, eles estão proibidos desde os atentados.

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