sábado, 1 de agosto de 2009

Entrevistas que gostaríamos de ver...














Primeira entrevista coletiva do nadador César Cielo no Brasil, após retornar do Mundial de Esportes Aquáticos em Roma:

JORNALISTAS: Cielo, por que você se recusou a ir a Brasília encontrar o Presidente Lula após as conquistas no Mundial (medalhas de ouro nos 50m e nos 100m nado livre, além de recorde mundial nesta última)?
NADADOR: Porque aprendi com o Presidente Lula que é preciso respeitar a biografia de cada pessoa. No Brasil, existem muitas dezenas de milhões de pessoas cuja biografia se pauta em trabalho árduo, perseverante e honesto, mas sem a devida contrapartida do incentivo adequado, seja na forma de infraestrutura para trabalhar, seja na forma de remuneração ou condição de vida digna. Por outro lado, existem milhares de pilantras que se aboletam em estruturas de poder e assumem como único valor profissional para suas vidas não trabalhar e serem sustentados pela população obrigada a pagar impostos – na marioria das vezes enriquecendo inclusive. A minha biografia enquadra-se no primeiro grupo. A do Presidente Lula e da corja cujas biografias ele defende, numa tentativa de legitimação da pilantragem e da vagabundagem sustentada, enquadram-se no segundo. Quero respeitar a minha biografia e não me misturar com essa escória.

JORNALISTAS: Você acredita que a natação e o esporte brasileiro vão crescer muito após suas vitórias?
NADADOR: Não vão crescer nada. Eu sou um caso isolado, de um brasileiro que, de tão obcecado por um ideal, foi buscar preparação em um lugar adequado (fora do Brasil, obviamente). O que conquistei foi mérito meu, não do Brasil. O Brasil não prepara suas crianças e jovens para grandes avanços ou grandes conquistas. Não as ensina a ler, nem a fazer contas, nem a pensar, nem a exercitar, conhecer e desafiar o corpo através de esportes. Apenas as doutrina a acreditar que a obrigação que elas terão em votar quando chegarem à idade será o seu “exercício de poder”. Fazem-nas acreditar na baboseira de que “o voto é a arma do povo”. E como as crianças não estão acostumadas a pensar e, portanto, não compreendem as estruturas de poder e de sua perpetuação, caem nesse conto do vigário. Esporte começa nas escolas. E não temos escolas. Somos um país de analfabetos.

JORNALISTAS: E seus planos para o futuro?
NADADOR: Continuar treinando em Auburn, que é uma cidade caipira no meio do nada, mas que oferece aos seus habitantes uma bela universidade e uma infraestrutura para se estudar e para se praticar esportes como não se vê no Brasil. Quero nadar os 50m abaixo dos 21s. Na água, o Cielo é o limite!

DISCLAIMER: ESSA ENTREVISTA, INFELIZMENTE, É FICTÍCIA. AS FALAS, EMBORA CONDIZENTES COM A REALIDADE, SÃO CRIAÇÕES DO AUTOR DESSE BLOG. NÃO SÃO FALAS REAIS DOS PERSONAGENS SUGERIDOS.

Educação Sexual


Meses atrás, recebi um e-mail com fotos scanneadas de um livro alemão para crianças com o tema "COMO NASCEM OS BEBÊS". Gostei muitíssimo da proposta do livro e reproduzo aqui as páginas que vieram anexas ao e-mail.








































Caso algum leitor do blog se habilite a traduzir o texto do livro (basta clicar nas imagens para vê-las ampliadas), sinta-se à vontade.
Algumas perguntas me ocorreram ao olhar para as figuras acima... A primeira é: por que a sra Mutter e o sr Vater transam em cima de um bolo confeitado (e o bolo não desmancha)? A segunda é: por que o carro deles tem a mesma decoraçao do bolo onde eles transam? Terceira pergunta: o Geraldo Alckmin, após perder as últimas eleições no Brasil, foi exercer a medicina na Alemanha?
Mas acho que minha principal curiosidade vai continuar sem resposta: o que acontece entre as figuras 3 e 4 (da penetração e da sra Mutter aparecendo grávida)? A resposta mais criativa ganha um Kinder Ovo.

sábado, 18 de julho de 2009

Tecnologia: Nokia 7710 vs Samsung Omnia


Antes de me etiquetar como economista, o MEC me etiquetou como engenheiro eletrônico (embora, felizmente, eu nunca tenha sido etiquetado pelo Corecon nem pelo Crea). Apesar de eu desconfiar que o "engenheiro eletrônico" seja apenas um diploma jogado no armário, sei que o "entusiasta eletrônico" sempre existiu e continua existindo.

E é justamente esse entusiasta que é fascinado pela convergência tecnológica dos celulares. Uma das convicções que tenho é que nada foi tão revolucionário e transformador no século 20 do que as tecnologias de processamento digital e de telecomunicação de dados (leia-se: computadores, comunicação em broadcast, telefones e internet). E se as palavras-chave da tecnologia no século 20 foram processamento e telecomunicações, as do século 21 são convergência e mobilidade. Tecnologia sem fio (leia-se: mobilidade) e tecnologia tudo-em-um (leia-se: convergência) são as novas palavras de ordem. E nada representa melhor essa tendência do que celulares.

Em 2005, eu já buscava um aparelho onde eu pudesse, além de telefonar, tirar fotos e ouvir música, usar planilhas - tanto editadas no próprio celular quanto no computador (com o qual o celular pudesse ser sincronizado). No início de 2006, esbarrei com o Nokia 7710, que era touchscreen (para ser usado preferencialmente com uma canetinha stylus) em tela horizontal e com ícones fixos e não muito grandes. Era bem volumoso mas muito funcional. Além do báscio telefonar/tocar música/fotografar, sincornizava bem com o computador, tinha leitor de PDF e aplicativos editores de texto, planilha e apresentações. Na época do lançamento do iPhone, no último trimestre de 2007, eu já usava o 7710 havia um ano e meio e, pelas reportagens que via sobre o novo brinquedinho da Apple, não conseguia perceber vantagens (para além do design) que justificassem todo o frisson em torno dele. Quando, enfim, deparei-me ao vivo com um iPhone, percebi, aí sim, a vantagem da navegabilidade...

Mesmo assim, não quis aderir ao iPhone. Incomodo-me demais com a incompatibilidade que produtos Apple têm com qualquer coisa que não seja Apple, e não gosto que empresas tentem usar a "escravização" dos clientes como estratégia. Amigos me dizem que a Microsoft faz o mesmo. Não discordo, mas, pelo menos no caso da Microsoft, o sujeito fica atado a algo que todo mundo usa e com que ele vai esbarrar em qualquer esquina (e qualquer banca de camelô).

Minha decisão, então, foi que eu esperaria os concorrentes lançarem "similares do iPhone compatíveis com a Microsoft". E é aí que chegamos ao Samsung Omnia. Fino, com design mais bonito que o do iPhone e a mesma lógica de navegabilidade, roda Windows Mobile e é, de fato, uma opção bem interessante para os non-Apple. De todo modo, como nenhuma tecnologia é perfeita, sinto falta de alguns recursos de que o 7710 dispunha e que o Omnia não traz. Aí vai, então, uma avaliação do Omnia tomando o 7710 como referência...
















Design e navegabilidade. Sem dúvida, o grande trunfo do iPhone e dos seus sucessores (incluindo aí o Omnia)! O Omnia é fino (e com capa fina), prateado/espelhado, com disposição padrão vertical mas com tecnologia piezoelétrica que permite à tela ajustar-se às posições vertical e horizontal (a câmera, por exemplo, funciona na horizontal), tela grande, ícones grandes e deslizantes e touchscreen fotoelétrico (ou seja, que pode ser usado com os dedos ou com caneta stylus, ao contrário do iPhone, que funciona a partir da capacitância da pele humana e, portanto, não pode ser usado com stylus ou com luvas).
As desvantagens ficam por conta da "arquitetura de navegação" (os caminhos até as funções são usualmente tortuosos), do péssimo botãozinho que deveria funcionar como cursor e de duas aparentes consequências da finura do aparelho: um pouco prático botão liga/desliga e a existência de uma única porta (de difícil acesso) para qualquer conexão física (seja carregador de bateria, cabo de sincronização com o computador ou fone de ouvido, por exemplo).

Sistema operacional, aplicativos Office, Internet e e-mail. Goleada do Omnia, que usa o sistema operacional Windows Mobile, em detrimento do desastroso Symbian, que trava o tempo todo e é a plataforma do 7710 e de todos os smartphones Nokia. Quanto a aplicativos Office, ponto para o Omnia, onde se pode trabalhar diretamente em Word, Excel, Powerpoint e Outlook, e não em similares. Logicamente, a tela do computador é bem mais confortável, mas, em caso de necessidade, está tudo lá no Omnia. O quesito Internet/e-mail é covardia... enquanto o Omnia navega com Opera ou Internet Explorer via wi-fi ou 3G, o 7710 ainda não era 3G. Logicamente, qualquer navegação wi-fi ou 3G supera a insuportavelmente lenta e cara GPRS.

Conectividade e sincronização com o computador. Enfim, ponto pra Nokia! O aplicativo Nokia PC Suite permitia ao 7710 (e a qualquer smart da fabricante) comunicar-se com o computador via cabo, infravermelho ou bluetooth. A instalação era fácil e rápida e a conexão era boa, rápida e de fácil uso. Às vezes, era desconfigurada e requeria reinstalação, mas só muito de vez em quando. Além disso, ao final de cada sincronização, podia-se ver um relatório com as informações que tinham sido adicionadas, excluídas, modificadas ou que apresentavam conflito. Isso permitia ao usuário ter certeza de quais informações estavam tanto no computador quanto no celular após a sincronização.
Já o péssimo ActiveSync, da Microsoft, não oferece esse relatório ao final da sincronização e, além disso, só permite conexão bluetooth em versões superiores à 4.5.0, sendo que estas só rodam em Windows Vista. Ou seja, usuários de versões Windows anteriores ao Vista têm que manter-se na "era do cabo". (Obviamente que, no aplicativo da Microsoft, conexão infravermelha fica fora de cogitação).

Funções de telefonia. Outro ponto para o Nokia 7710! Como já comentei, a "arquitetura de navegação" do Omnia é desastrosa. Os caminhos pelos menus são longos e pouco intuitivos até se chegar onde se quer. E um dos casos em que isso se torna mais irritante é ao telefonar para alguém. Encontrar o telefone de alguém na agenda requer muita digitação e muitas telas.
Tudo poderia ser facilmente resolvido com um recurso de chamada por voz. Mas quem disse que o Omnia oferece tal função (que era uma das maravilhas do 7710)?

Fotos, vídeos, músicas, rádio e textos PDF. A câmera de 5Mp do Omnia faz boas fotos e bons vídeos (para as limitações de uma câmera de celular) mas não tem zoom, o que, em se tratando do zoom digital comum em câmeras de celular (dada a pouca funcionalidade de um zoom óptico em aparelhos assim), não sei se é propriamente uma desvantagem. Músicas e vídeos rodam em Windows Media Player e o grande problema aqui é, novamente, a péssima arquitetura de navegação. Haja cliques e telas para se montar uma lista de músicas que se quer ouvir. Rádios FM podem ser ouvidas com o fone de ouvido conectado, funcionando como antena (tal qual no 7710). Por fim, a leitura de PDFs é tão ruim quanto era no 7710. Essa, por sinal, é uma tecnologia que ainda precisa convergir decentemente para os celulares: os e-books. Está aí, talvez, a próxima fronteira.

PS: O GPS e o Google Maps do Omnia eu ainda não usei. Não tenho como avaliar.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Meninos de Kichute

Chora, chorolado!


Escrevo esse post com quase duas semanas de atraso, mas não poderia deixar passar em branco...

A patética atitude do vice-presidente do Internacional - que, às vésperas da final da Copa do Brasil contra o Corinthians, resolveu apresentar à imprensa um DVD com uma coletânea de supostos favorecimentos dos árbitros ao Timão (subtexto: "Árbitros, não temos condições técnicas, táticas, físicas ou emocionais de sairmos do gramado campeões na final. Então, deem-nos uma forcinha, pelo amor de Deus!") - foi retribuída dentro de campo (com o Coringão, que já havia vencido por 2x0 o primeiro jogo, abrindo mais 2x0 logo nos primeiros 30 minutos de jogo) e na arquibancada (com a Fiel dando nova letra à paródia que a torcida chorolada faz da canção dos Mamonas Assassinas - ver vídeo abaixo).


Esportes intensos e sedentários


Achei curioso o resultado da pesquisa abaixo! Eu, que fui mega-sedentário quando criança/adolescente, sempre curti jogar basquete, e nunca tive a menor atração por jogar vôlei.


E viva um amigo meu, que diz que pratica "triatlo indoor": truco , sinuca e pebolim.

QUAIS SÃO OS ESPORTES MAIS SEDENTÁRIOS?

O bilhar é o esporte que gasta menos calorias, de acordo com o livro Fisiologia do Exercício, de William McArdle, mas é impossível definir um ranking oficial. “Existem centenas de variáveis envolvidas. Um mesa-tenista pode gastar mais calorias em uma partida do que um jogador de futebol em um jogo inteiro”, diz o médico Samir Daher, da Confederação Brasileira de Handebol. O ritmo com que o esporte é praticado, a frequência, o biótipo do praticante e o deslocamento exigido pelo jogo são alguns dos fatores que devem ser levados em consideração. Assim, não há uma lista definitiva dos esportes mais e menos sedentários, e sim estimativas. A lista abaixo, por exemplo, estima quanto um indivíduo com 70 quilos gasta de calorias durante uma hora de atividade. Aliás, nem o conceito de esporte é consenso: aqui, consideramos esporte toda atividade física sujeita a regulamentos e que geralmente visa a competição. No futuro, quem sabe até jogar videogame vá ser considerado um esporte. Se isso acontecer, o Nintendo Wii pode entrar para a lista dos sedentários: em uma hora, ele queima 150 calorias, de acordo com um estudo da Universidade John Moores, na Inglaterra. :-’)

MOLEZA F.C.
Os esportes mais sedentários...

BILHAR (176 kcal)
É um esporte que requer mais concentração do que força física. Como há poucos deslocamentos – e, quando existem, são curtos e lentos –, não acelera muito o metabolismo

CANOAGEM por lazer (185 kcal)
Na canoagem amadora, não é preciso lutar contra correntezas fortes – o esportista apenas segue o fluxo da água, sem contrações muito vigorosas para executar o movimento

DANÇA LIVRE (214 kcal)
Por não ser profissional, requer só movimentos suaves, sem grandes deslocamentos ou movimentos complexos. Com isso, acaba gastando menos calorias

VÔLEI (245 kcal)
Apesar de exigir saltos e movimentos intensos, tem deslocamentos extremamente curtos, de 2 a 3 metros, que reduzem o consumo calórico

ARCO-E-FLECHA (273 kcal)
O esporte depende mais da parte psicológica. O esforço físico fica concentrado nos braços, que precisam segurar o arco corretamente e aguentar o tranco da flechada

DUREZA F.C.
... e os que mais fazem suar

BOXE (932 kcal)
O esporte exige que o atleta se desloque bastante e dê vários pulinhos de um lado para outro para desviar do adversário, fora a energia gasta com os golpes

SQUASH (890 kcal)
Bater a bolinha contra a parede parece brincadeira de criança, mas envolve muito deslocamento, velocidade, flexibilidade, força e resistência

JUDÔ (819 kcal)
Assim como as outras artes marciais, é um esporte que exige força, daí sua queima calórica. Sua prática também requer flexibilidade e coordenação motora

NATAÇÃO - CRAWL (655 kcal)
Ao nadar nesse estilo, também conhecido como nado livre, o esforço maior fica por conta das pernas, dos braços e das costas, apesar de o esporte trabalhar o corpo todo

BASQUETE (580 kcal)
A queima de calorias é beneficiada principalmente pelo deslocamento em quadra. Cada atleta percorre, em média, 8 quilômetros durante uma partida

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Interpretação de texto


Em homenagem ao novo Enem, um pequeno exercício de interpretação de texto:

Homem falha ao tentar engravidar mulher do vizinho


"
Um homem que vive na Alemanha foi processado por não conseguir engravidar a mulher do vizinho, depois de ser contratado por 2 mil euros (cerca de R$ 5,7 mil) para isso.
Demetrius Soupolos e a mulher, Traute, queriam ter uma criança, mas descobriram que Soupolos não poderia ter filhos. Por isso, decidiram contratar Maus, na esperança que o homem casado e com dois filhos pudesse engravidar Traute. A informação foi divulgada pela publicação alemã "Bild".
Depois de seis meses e nenhuma gravidez – com uma média de tentativas de três vezes por semana –, Soupolos insistiu para que Maus passasse por exames médicos. Os testes mostraram que o vizinho também é estéril. Por isso, a mulher de Maus foi obrigada a admitir que as duas crianças não eram dele
."

Agora responda: o que é pior?
1) Descobrir que é estéril.
2) Contratar o vizinho para pegar sua mulher por seis meses, ou seja, escolher ser corno (depois de descobrir que é estéril).
3) Ver que, após seis meses, o contrato de cornice não está surtindo o efeito esperado, ou seja, depois de ser estéril e corno, sentir-se lesado financeiramente.
4) Levar o caso à justiça, ou seja, estéril, corno, lesado financeiramente e nas mãos de advogados.
5) Descobrir que você é estéril enquanto tenta engravidar a mulher do vizinho.
6) Descobrir que os dois filhos que você tem não são seus, ou seja, além de estéril, ser corno.
7) "Cornear" o vizinho e descobrir que já foi corno, no mínimo duas vezes.
8) Todas as anteriores.

(crédito: questionário inspirado em proposta de Fernanda Faria)


Metas de inflação e crescimento


Essa veio de um trabalho apresentado pelo prof dr Gilberto Libânio, PhD em economia e professor de macroeconomia na UFMG, e de um posterior almoço com ele...


No Brasil, passamos os últimos anos ouvindo reclamações sobre a estratofésrica taxa básica de juros (taxa Selic), sempre justificada pelo Banco Central como um mal necessário devido ao regime de metas de inflação, e o efeito nefasto dessa elevada taxa sobre o crescimento da economia do país. Em uma análise bastante interessante, o trabalho esmiuça um mecanismo de acordo com o qual um desaquecimento na economia acaba tendo como consequência em um país que adote metas de inflação (e que tenha endividamento) uma elevação na taxa básica de juros, ou seja, um resultado que agrava ainda mais o desaquecimento inicial. É o que economistas chamam de um mecanismo pró-cíclico.

O mecanismo é o seguinte:
1) o desaquecimento na economia gera queda na arrecadação tributária;
2) a queda na arrecadação aumenta a chance de o país não honrar suas dívidas (elevação do risco-país);
3) a elevação do risco-país faz investidores internacionais retirarem divisas (moeda estrangeira) do país, provocando, assim, um encarecimento da moeda estrangeira (desvalorização cambial da moeda local);
4) a desvalorização cambial pressiona a inflação (dependendo do quanto os preços dos produtos no mercado doméstico estiverem atrelados a importações ou mesmo a bens "exportáveis"), o que faz a autoridade monetária elevar a taxa de juros.

O remédio?
A primeira engrenagem que percebemos que pode ser invertida - consequentemente, invertendo o mecanismo - é o endividamento do país. Se a dívida com credores internacionais for menor ou até mesmo negativa (caso de um país credor, como o Brasil é hoje), o passo 2 do mecanismo se enfraquece ou nem mesmo se concretiza.
Outra possibilidade é uma atuação no passo 3 do mecanismo: controle de capitais. Se o fluxo de capital estrangeiro for sujeito a mais restrições legais, oscilações no risco-país podem ter seus efeitos sobre o câmbio mais amortecidos.

Curiosamente, escrevo esse post exatamente na semana em que a taxa básica de juros do Brasil foi reduzida para um dígito (apesar de continuar sendo uma das mais altas do mundo) e em um momento em que o país é credor externo. Ou seja, o mecanismo pró-cíclico descrito acima está desfeito e os macroeconomistas precisam procurar outro motivo para esbravejar contra o Banco Central. No almoço que tive depois com o Gilberto, ele arriscou seu palpite para as bravatas dos próximos anos: câmbio sobrevalorizado, com o enfraquecimento do dólar e a inundação promovida pelo Tesouro americano.

Penso que faz sentido!

23 anos em 7 segundos

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O fim da classe média


Artigo do Gilles Lapouge, correspondente do Estadão em Paris, na edição de 8 de junho de 2009 do jornal.

Não concordo inteiramente com o texto, mas jogo no ventilador e deixo os comentários para depois...

O fim da classe média

De tempos em tempos, anunciam a morte da classe média. Ramon Muñoz o fez recentemente num belo artigo do jornal espanhol El País. Muitos outros "avisos de falecimento" o haviam precedido. Alguns anos atrás, o francês Louis Chauvel falava das "classes médias à deriva", e o sociólogo Jean Lopkine anunciava que as classes médias haviam desaparecido, que elas continuavam a funcionar como "mito".

O ponto comum entre todos esses veredictos é o pessimismo, o medo e a inquietação. Eles parecem elogios fúnebres. Consideram que o declínio da classe média provocará grandes desordens sociais e políticas. E têm razão. Então, a classe média não constitui a coluna vertebral da economia de mercado, um penhor de estabilidade e o motor das mudanças? Se ela desaparecer, a sociedade entrará em parafuso. Aristóteles, este velho grego que viveu cinco séculos antes de nossa era, nos havia prevenido: "A classe média é a fonte da estabilidade democrática".

No entanto, embora todo o mundo esteja de acordo sobre essa agonia silenciosa da classe média, um ponto continua obscuro: ninguém sabe exatamente o que é a classe média. Mesmo a sua data de nascimento é desconhecida. Alguns a situam após 1945, durante os 30 anos de grande enriquecimento dos países avançados. Outros a remontam ao século 19, o século da máquina a vapor da burguesia. E Aristóteles já a conhecia!

Há incerteza até no que concerne a seus contornos. Ela tem uma geometria variável. Ela não é a mesma, não tem nem a mesma periferia, nem o mesmo conteúdo na primeira revolução industrial, ou em 1960, no tempo dos colarinhos brancos, ou em 2000, após a revolução informática.

Essa classe média muda também segundo o olhar dos observadores. Para uns, ela é formada pelos que ganham 1 mil (R$ 2.755) por mês. Para outros, engloba também os que têm uma receita mensal de 3 mil. É por isso, aliás, que durante muito tempo se falou não "da" classe média, mas "das" classes médias, a superior e a inferior.

Trata-se, portanto, de um objeto delicado, tão escorregadio como um sabonete molhado.

Vamos ao mais simples, portanto: esse conceito designa simplesmente a classe intermediária que se estende entre a classe rica e a classe pobre. Essa classe, outrora abastada, honrada, respeitada, tornou-se quase indigente. Ela sobrevive com 1 mil mensais, talvez.

De 1950 a 1975, essa classe intermediária cresceu bastante, pois era alimentada pelo fluxo dos antigos operários, empregados, camponeses que asce ndiam graças ao milagre econômico do pós-guerra.

Em compensação, de 1975 a 2000, assistiu-se ao movimento inverso: a classe média se esvaziou. O número de ricos e de muito ricos aumentou incrivelmente, enquanto uma grande parcela da classe média foi puxada para baixo e para a precariedade.

A classe média sofreu então duas mudanças: de uma parte, sua quantidade diminuiu, e de outra, sua renda baixou. Em 2008, 48% das pessoas pertencentes à classe média francesa não puderam tirar férias.

E hoje? O declínio prossegue e se acentua. A pauperização também.

Hoje, os que ontem pertenciam à classe média estão, com frequência, pobres, pessoas que recebem por mês, na Europa, apenas o suficiente para sobreviver: 700 por mês na Grécia, 1 mil na Espanha e 1.400 na Alemanha ou na França (aqueles a quem chamam de "mileuristas", palavra forjada na Espanha há alguns anos para designar os escombros dessa antiga classe média, em geral jovens ou estudantes que não dispõem de mais de 1 mil por mês).

Será o caso esperar que essa regressão seja um fenômeno temporário, uma síncope em vez de uma morte? Podemos supor que esse desastre esteja ligado à crise econômica e financeira que, partindo dos Estados Unidos, devasta o globo há um ano, essa espécie de morte cuja grande foice ceifa as fábricas, os bancos e as vidas? Infelizmente, não temos nenhuma razão para acreditar nisso.

Trata-se de um fenômeno profundo, lento e pesado. Ele opera no longo prazo, como um movimento de placa tectônica. Foi acelerado pela crise, mas não nasceu com ela. Já estava em ação antes dela. Ele começou bem antes da atual recessão. Isso significa que ele não é conjuntural, mas estrutural, não é aleatório, é fatal.

A prova? Ele é observado na totalidade dos países desenvolvidos, tanto na Polônia como na França, tanto na Alemanha como em Portugal, ou nos Estados Unidos. Acrescente-se a isso que ele progride mais ou menos com a mesma velocidade, seja qual for a ideologia, o talento ou a prática dos governos que estejam no comando. Direita, esquerda, centro, os governos podem mudar, mas o encolhimento da classe média persiste. O processo se desenvolve segundo seus ritmos e regras próprias. Ele prossegue seu curso imperturbável sejam quais forem as armas que os poderes utilizam para sustá-lo ou desacelerá-lo.

Eu me pergunto se esse declínio das classes médias, longe de ser uma consequência da crise financeira do ano passado, não seria, ao contrário, sua causa. O que se passou? A classe média americana, reduzida e necrosada há anos, havia conseguido maquiar sua própria agonia, mascará-la, apelando de maneira irrefletida e delirante ao crédito, que os bancos aliás forneciam de bom grado. A verdade é que "o rei estava nu", mas os bancos lhe emprestavam roupas para camuflar sua nudez.

Um dia, porém, o sistema bancário, solicitado insensatamente por essa classe média ávida por luxo e distinção, mas em via de pauperização, explodiu. Desde então, a classe média se encontrou tal como ela era de fato havia já muitos anos: nua, pobre e tiritando.

Se essa análise está certa, isso significaria que o fim eventual da crise (em 2010, 2011?) não teria por efeito ressuscitar, como por um golpe de vara de condão, essa classe média naufragada? Não. Uma vez extinta a crise, as sociedades retornarão à situação que prevalecia pouco antes dela, com, de um lado, uma enorme classe indigente, de outro, uma classe de pessoas cada vez mais ricas, mais indecentes, e entre as duas, os resíduos da antiga classe média.

Essa extinção progressiva das classes médias terá efeitos devastadores sobre o equilíbrio das sociedades. Uma coisa é importante: os novos pobres, cujo número aumenta de maneira exponencial, são antigos homens e mulheres da classe média. E eles conservam dela a lembrança, a nostalgia e os hábitos.

Pior ainda: esses novos pobres, provenientes das antigas classes médias, são educados. Entre os "mileuristas", encontram-se jovens formados em matemática, em ciências jurídicas, em letras, em belas artes. Espíritos brilhantes, formados e refinados. Ora, após concluir seus estudos, eles ganham, supondo que consigam emprego, 1 mil ou 2 mil. Portanto, amargura, desejo de revanche, desestabilização social, revolta ou revolução. Quem fez a Revolução Francesa de 1789? Os servos, os camponeses, os mendigos? Absolutamente. Esses estavam acostumados demais ao sofrimento para se revoltar. Os verdadeiros revolucionários foram os advogados sem causa, os intelectuais sem emprego, os curas desdenhados pelo alto clero.

Esse desequilíbrio entre os diplomas e os empregos (ou as rendas) longe de se reduzir só pode crescer. Hoje, em toda a Europa, os jovens aos quais não se oferece alguma ocupação não têm outra escolha senão continuar seus estudos. Temos, portanto, estudantes eternos, como nos romances de Dostoievski na véspera de uma outra revolução igualmente radical. Um estudante de 30 anos de idade é coisa corrente. E a cada ano chegam ao mercado novas multidões desvairadas, carregadas dos mais sólidos diplomas, aos quais a sociedade oferece situações grotescas, sombras de ofícios.

Ora, também aí, uma espécie de véu de ilusão é jogado sobre suas misérias. A sociedade técnica é de fato capaz de oferecer a esses jovens de alto nível intelectual, mas privados de todos os meios financeiros, ilusões, engodos. Por exemplo, todo o mundo dispõe de serviços gratuitos de internet, um verdadeiro luxo. E seria possível citar também outros engodos, outras ilusões, como as viagens a baixo custo que permitem ir até o fim do mundo quando as pessoas mal conseguem se alimentar. Não é raro um rapaz que vai e vem entre dois continentes ser constrangido, quando volta a seu país, a se alojar em pardieiros ou locais improvisados, com amigos, com outros decaídos da classe média.

Muitas vezes é a família que permite a esses jovens/velhos estudantes sobreviver e manter uma aparência de dignidade. É usual em cidades como Paris, Londres ou Praga, que um rapaz fique na casa de seus pais até os 30 anos de idade ou mais. Mas o sistema não é eterno. Aliás, os próprios pais estão sendo pouco a pouco vitimados pela pauperização. As aposentadorias diminuem, de sorte que os pais não podem mais ajudar seus filhos a sobreviver decentemente.

Contudo, embora os pais sejam também vítimas do declínio da classe média, eles continuam a desfrutar de uma vida mais digna e confortável que seus filhos. O desaparecimento, ou ao menos o esgotamento da classe média, produziu essa consequência perversa: hoje, os filhos sabem que não atingirão na sociedade um bem-estar igual ao de seus pais.

Até recentemente, o esquema era inverso: o filho vivia com a perspectiva, a promessa, de viver uma vida mais brilhante, mais bela, mais expansiva que seus pais. Essa perspectiva era um dos incentivos que impeliam os jovens a trabalhar para superar seus pais. Hoje, em lugar dessa esperança, ocorre um desestímulo, uma resignação, que estende sua sombra sobre qualquer um, como a asa da morte.

Uma regressão real e durável da classe média provocaria outros desequilíbrios na sociedade e, talvez, na civilização. Aristóteles falou corretamente quando viu nessa classe média uma ferramenta de estabilidade democrática. Se essa ferramenta se quebra, a sociedade corre o risco de ceder a todas as aventuras, a todos os perigos, a todos os suicídios. Isso já se evidencia num país como a França: a ampliação contínua do desemprego provoca reações epidérmicas muito perigosas. As greves viram enfrentamentos. Podem-se temer uma conflagração e revoltas selvagens.

Os sindicatos, essas "velhas raposas políticas", conseguiram até aqui evitar a passagem à violência cega. Mas eles são a cada dia ultrapassados pelas tropas que atingem tamanho grau de cólera que são tentadas pelo pior, brutalidades, agressões, depredações, etc.

Será possível evitar convulsões? Nada o garante. No passado, os mineiros, os operários metalúrgicos, os trabalhadores braçais menosprezados por seus chefes, travaram lutas sangrentas. O perigo hoje é ainda mais grave, contudo. As futuras revoltas poderão efetivamente nascer não dos que nunca tiveram acesso à "mesa do banquete" (como foi o caso dos grandes movimentos populares do século 19), mas dos jovens cujos pais tinham uma vida confortável, jovens que trabalharam para atingir os altos escalões da sociedade e que vegetam no submundo.

Esses jovens, massacrados pelo fim da classe média, veem a pequena camada dos ricos, dos riquíssimos, engordar às suas custas, habitar mansões das "mil e uma noites", levar uma vida de um luxo exagerado, exibicionista e vulgar em meio a uma profusão de ouro e caviar. Seu rancor aumenta em proporção à sua decadência. E algum dia, quem sabe, eles poderão optar pela revolta.